sexta-feira, 26 de agosto de 2011

REINVENTAR-SE

me torno um rio vivo de lágrimas
por alívio de esvaziar minhas águas
que sangram nas dores da alma...

me torno um horizonte aberto
nos pactos e palcos do agora
quero me parir de dentro pra fora


e o mundo me será  um útero de paz...

ofereço o sorriso nascido do pranto
mais largo que a dor, maior que o espanto
mais vivo talvez que a perfeição de um anjo


é na humana natureza que me ergo...


adentro num céu molhado de estrelas
plantadas em versos, em cantos, em gestos

e capturo do Cosmos o divino sabor...

falo a quaisquer ouvidos
que me queiram ouvir
qualquer falo sem medo de agir


tanto ao feminino que reinventa o amor
às almas abertas sem nenhum pudor

no desabrochar da vida em flor...

por vias etéricas meus corpos entrego
ao corpo da terra da qual filha sou
na elevação espiralar do amor...

só comparável à consciência da morte
na desnuda expressão do prazer
delicadas essências do amanhecer

fascinantes linhas do tempo e da história
imprimem no homem o gozo e a memória

saibam ou não ler nas entrelinhas

a linguagem universal do amor em turvas linhas...

Um comentário:

  1. Querida Poetisa, para expressar o quanto me emociono ao te ler, só mesmo repetindo os seus nobres e magistrais versos:
    "...rio vivo de lágrimas no alívio de esvaziar as águas que sangram nas dores da alma..."
    "...céu molhado de estrelas que captura do cosmos o divino sabor..."
    "...falo a qualquer falo sem medo de agir e ao feminino que reinventa o amor..."
    "...a consciencia da morte é a mais desnuda expressão do prazer..."
    Sempre que venho te ler é porque venho beber..."a linguagem do amor nas entrelinhas..."
    Muito obrigado!
    Walter

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