quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meditação

Espero a minha alma
Sussurrar pra minha vida
A direção
Espero na leveza do meu centro
Onde não existe o tempo
Só a imensidão
E acalmam-se os meus mares
Meus temores e pensares
Um sopro na intuição
São espaços vazios
Entre um pensamento e outro
É da vida a respiração
Expansão e contração
O problema e a solução
Lentamente vão se dando as mãos
E no universo do meu peito
nasce a plenitude e o SIM
À evolução...

domingo, 24 de outubro de 2010

Em mim

Em mim há um espaço delicado
Tão sensível e sagrado
Que eu já sei como alcançar
Ao desatar as amarras do meu corpo
Desanuviar a mente
E no silêncio penetrar

Em mim há uma luz que é tão brilhante
De uma paz irradiante
Que transborda em amor
Não tem idade, não tem forma
é o infinito...
E um perfume de rosas inebria todo o ar

Em mim há um espaço abrangente
Que abarca o céu e a Terra
Os oceanos e além mar
Ao vislumbrar essa outra dimensão
Vejo a face do amor em toda a Criação!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Meu Amor (ouça também em áudio!)

Onde quer que palpite a vida
O meu amor ali está
Na singela florzinha do campo
Na força dos temporais
E a todo momento presente
Me dou por inteiro
Sinto a fonte da vida
Do amor verdadeiro

Meu amor se enternece com a dor
Se expande na alegria
Ele pulsa ao amanhecer
Na esperança de um novo dia
E renasce nas asas de uma borboleta
Voando na dança do ar
Vem tecendo a beleza em todo lugar

Onde quer que palpite a vida
Ali ele entra
Não se omite, não se intimida
Se expressa e aumenta
Meu amor se derrama na Terra
Como a luz do dia
E toca cada coração
Com o dom da poesia

Meu amor é tão grande
Por isso não cabe mais no meu peito
Traz as cores do arco-íris
E todos são os seus eleitos
Ele é do tamanho de um sonho
Que só faz mais e mais se alargar
Ultrapassa fronteiras cantando a paz

Meu amor é tão lindo assim
Se eu tenho a coragem
De ser um com essa fonte de luz
Que me nutre e me abre
Onde quer que palpite a vida
Meu amor ali está
Se eu vivo por ele
Ele em mim viverá!

Tristeza

E paira sobre a alma
A noite escura
E um manto de sombras
Cobre os olhos,o peito
o sexo e os sonhos...

E nem a alma grita
E nem o corpo chora
Nenhuma luz sobrevem
Ao sabor amargo de não ser
O que se era:

- Não ser uma pessoa boa -

O que é ser uma pessoa boa?
O que é ser uma pessoa, tão somente?

Auto-suficiente
Sorridente
Residente na alegria
De si mesma..

A máscara caiu
Em lágrimas tardias
De quem não se via
Solidão e covardia

Inflada em fantasia
Falsa abundância
E agora a casa
Está vazia..

Como preenchê-la?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Transpor o espelho

Tocar na intimidade
De uma neurose
Nas camadas profundas da pele
Do medo
E torná-lo claro
Como a verdade
Que se ama

Alisar a delicadeza
Da mais exposta
Fragilidade nua
E penetrar com cuidado
No frio que se arde
Pra dentro do espelho

Do sentido que se oculta
Naquele que deseja
Mais que tudo
Transpor o espelho

E talvez encontrar
Além da imagem
O inefável abraço
Da própria essência...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por tanto te amar

Por tanto te amar, por tanto te ter
Eu me misturei com você
Por tanto te olhar, tentando te ver
Eu me espelhei em você

O amor me ensina a te descobrir
Pra melhor me compreender
O amor te ensina a me compreender
Pra descobrir quem é você
Por tanto te amar, por te querer bem
Eu te libertei pra viver
Dores pessoais, existenciais
E as vezes pergunto, por quê?

O amor me ensina a te oferecer
Meu ombro amigo, meu corpo nú
O amor te ensina a se entregar
Na chance de me encontrar

E me surpreendo feliz a cantar
Quisera dançar com você
Só pra celebrar esse nosso amor
Que nos impulsiona o viver! 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Trechos do livro: Sementes de Prazer

Pode a poesia transformar uma realidade consumada?
Pode apropriar-se do abandono, do viço, do traço,do rastro de uma alma, em seu desatinado movimento cósmico?

Quando a poesia ruminar na saliva dos amargos
O gosto do beijo dos amantes
O insosso da dor dos infelizes...

Haverá um poeta absolvido blasfemando a sua fé

Quando a poesia levar a ouvidos surdos
O eco de um grito de injustiça
O silêncio na voz das minorias...

Haverá um poeta redimido com a fúria da matéria

Quando a poesia cantar o perfume das flores
À quem não aprendeu a respirar
Quando enluarar as cabeças das gentes
Que desaprenderam de sonhar
E encher de mel os olhos
De quem tira o doce da vida...

Haverá um poeta suprimido em sua carência humana

Quando a poesia trouxer a outras lágrimas
A sua mais pura expressão visionária
Quando viver em ti toda a esperança
Que o auge da emoção a fez criar...

Haverá um poeta impossível florescendo num jardim...

Quando a poesia tocar todas as almas, numa única,
Poética fusão de sacralizar a missão da vida...

Haverá um poeta iluminado, sensivelmente lúcido
Em sua plácida loucura...

Pureza (do livro: Sementes de prazer)

Quisera amar as pessoas
Com as mãos cheias
De sêmen
A boca cheia de estrelas
E o corpo despido
De estereótipos

Quisera reunir multidões
Para uma troca de seiva
suco
suor
e saliva

Na mais arrebatada
Orgia cósmica
Oferecer o riso da aventura
À desventurada solidão humana
À desatinada corrupção de mentes(e valores)
E a resistente alienação das gentes
Reticentes...

O Outro Eu

Entrar no medo
E ao invés de enfrentá-lo
Com armadura e terror
Render-se a ele
Lenta e devotamente
Como a entregar-se à parte esquecida
De si mesma
Aceitá-lo devagarinho
Quase que devotamente
Deixando-se envolver num abraço
Reverente e amigo

Meu medo
Meu outro eu
Eu te vejo
E dou um lugar pra ti
No meu coração
Por ora, espere um pouco
Solte minha mão,
Preciso desbravar um rio
Entrar numa canoa
Pôr os pés na terra
Encher meu espírito com a força estranha
Da Natureza
Que insiste em me convidar a viver,
Amar, crescer...
E ainda que dolorosamente
EU VOU!
Com o meu sorriso
E a minha humanidade
Esplêndida
À luz do Sol

Criança Interior

Hoje nasceu a minha criança
Recém resgatada do útero
Da vida
Como uma flor beijada pela lua
Que se abre para a luz do sol
Radiosa criança interior!

Hoje nasceu com ela o entendimento
E todo um mar de deslumbramento
De estrelas que cintilam num céu interior
Meu plexo, meu sexo, meu som
Puro amor!

Oh, minha criança
Inocência plena
Aceitação suprema
De tudo o que há
Me entrego em seus braços
Pra me acalantares
Em ti eu confio
Pra recomeçar!

Sol da Vida (ouça também em áudio!)



Tu que és o sol da vida
Que a tudo ilumina
Tira a venda dos meus olhos
Pra que eu possa enxergar
Ver que em cada detalhe
A obra é sagrada
Me inspira a ver no tempo
O poema da criação

Tu que és a luz do mundo
Bondade perene
Sustenta a devoção
Que trago em minha alma
Que a minha vontade
Sempre lhe seja fiel
E no fogo do meu ser
Eu possa nesse amor crescer

Tu que és o meu amigo
De todas as horas
Que me chama pelo nome
Lê meu coração
Incorpora-me em teus planos
Purifica o meu querer
Humaniza a minha alma
No eterno viver!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quero ser maior (ouça também em áudio!)



Eu quero ser maior
Bem maior do que o tamanho meu
Quero alcançar com as minhas mãos
Os sonhos meus
E realizar essa ventura
De seguir a estrela pura
Que me trouxe a essa vida
Pra vencer!

Eu quero ser melhor
Bem melhor do que eu hoje sou
Quero galgar tantos degraus
De compreensão
Subir ao pico da montanha
Ver do cume o lume do luar
Só pra mirar
Tanto mar que há pra navegar

E ainda que eu não seja um anjo
Nem um redentor
Todo o meu ser anseia
Por aprender o amor
Esse amor iluminado
Generoso e abençoado
Que me eleva e me faz sentir maior!

Eu quero ser feliz
Bem, bem feliz
Como se deve ser
Confiar que nunca terei nada a temer
Pois essa luz que me ilumina
Vem de dentro, vem de cima
E inspira o tempo todo o meu viver!

Eu quero ser eu mesma
O que na verdade sou
Chama infinita que se arde
E cresce no amor
E tudo o que essa luz alcança
Tem a presença do agora
No ideal de vir a ser
Tudo o que sou!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Parcerias (ouça também em áudio!)



Há pessoas que me inspiram um novo olhar
Ao surgir em minha vida, sinto o coração brilhar
Uma luz que me acende, uma presença assim
Que sabe extrair o que há de melhor em mim

Há pessoas que me inspiram uma emoção
Uma fonte de idéias não se lança pelo chão
Nós temos um diamante nesse chão a lapidar
E a certeza do amor para compartilhar

E nasce o desejo de uma parceria
Um mar de afinidades pra se navegar
Um circo malabares, uma ponte para o céu
Onde qualquer pessoa possa atravessar pelo arco-íris

Somos os equilibristas dessa arte de sonhar!

Nessa ciranda, de mãos dadas com a esperança
Receber da vida toda a abundância
Sem deixar de ser criança

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A mãe do mundo

A compaixão é um amor sem alarde
Sem saber-se o sujeito que ama
Nem pretender obter
O objeto de seu amor

Na maternagem da vida
Alegra-se em ser alimento
Do ímpio e do inocente
E ainda que o sugar impune
Lhe contraia as entranhas
E lhe sangre o seio
Persiste...
Até que a dor se cure


 Há dias em que amo assim
 Como se fosse a mãe do mundo.
 E todos, todos são os filhos meus:
 O homem que me xinga no trânsito
 A moça que me destrata no balcão
 A multidão que não me vê...
 Um por um eu amo
 E acolho em meu peito
 E me regozijo com a sua existência
 Qual mãe orgulhosa de seu rebento

Nesses dias, observo o insulto de quem passa,
Mas eu não passo.
E sim, recebo em meus olhos, meu útero, meu plexo
Esse ser que se engana
Esse outro eu...
E choramos juntos toda a carência humana,
Toda a miséria e sofrimento de ser

 E teço um longo tecido de esperança
 A cobrir delicadamente o desamor
Como a ser uma pele
 Sobre um coração sem pele...
Com o atávico desejo de ser amado...

 Faço isso com um abraço imaginário
Que de tão etérico
Se faz real

E aí, não sei porque
Um estranho olha pra mim de repente
Vê que sou sua mãe,sua filha, sua família,seu mundo,seu tudo
 E se constrange...
 Coça a cabeça, olha o vazio
 Esquece por um momento a raiva, o lodo, o ódio
 E para de lutar
 Por um breve instante, relaxa...
 Como uma criança que acabou de mamar
 E agora dorme satisfeita

domingo, 3 de outubro de 2010

Dualismo (ouça também em áudio!)



Uma parte de mim se inspira, a outra respira
Uma  parte de mim se renova, a outra é antiga
Uma parte de mim desabrocha, a outra amadurece
Uma parte é prosa, a outra é poesia

Uma parte de mim é sagrada, a outra é profana
Uma parte de mim é divina, a outra é humana
Uma parte de mim se apaixona, a outra duvida
Uma parte se enfrenta, a outra se espanta

Ilumina, ilumina minha vida!
Há uma parte de mim que se esquece
E sustenta a minha porção criança
Que é aquela que canta e se encanta
Com os verdes tons do mar
Quando vê o fogo a crepitar
E um pássaro a cruzar o ar
Ela só quer girar e girar e girar

Uma parte de mim é o inferno
Uma parte é o paraíso
Uma parte de mim só deseja ser amada
Mas minha melhor parte é a que ama
Mais nada