A compaixão é um amor sem alarde
Sem saber-se o sujeito que ama
Nem pretender obter
O objeto de seu amor
Na maternagem da vida
Alegra-se em ser alimento
Do ímpio e do inocente
E ainda que o sugar impune
Lhe contraia as entranhas
E lhe sangre o seio
Persiste...
Até que a dor se cure
Há dias em que amo assim
Como se fosse a mãe do mundo.
E todos, todos são os filhos meus:
O homem que me xinga no trânsito
A moça que me destrata no balcão
A multidão que não me vê...
Um por um eu amo
E acolho em meu peito
E me regozijo com a sua existência
Qual mãe orgulhosa de seu rebento
Nesses dias, observo o insulto de quem passa,
Mas eu não passo.
E sim, recebo em meus olhos, meu útero, meu plexo
Esse ser que se engana
Esse outro eu...
E choramos juntos toda a carência humana,
Toda a miséria e sofrimento de ser
E teço um longo tecido de esperança
A cobrir delicadamente o desamor
Como a ser uma pele
Sobre um coração sem pele...
Com o atávico desejo de ser amado...
Faço isso com um abraço imaginário
Que de tão etérico
Se faz real
E aí, não sei porque
Um estranho olha pra mim de repente
Vê que sou sua mãe,sua filha, sua família,seu mundo,seu tudo
E se constrange...
Coça a cabeça, olha o vazio
Esquece por um momento a raiva, o lodo, o ódio
E para de lutar
Por um breve instante, relaxa...
Como uma criança que acabou de mamar
E agora dorme satisfeita
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