terça-feira, 10 de maio de 2011

Males da ilusão

Olhando um pro outro nos vimos no espelho da memória.
Mas eu sigo solitário e tu segues tua história.
Em nós um profundo medo de se entregar a alguém...
Revelar a alma encoberta? É preciso estar alerta!
O que chamo de meu EU, não vou dividir com ninguém!
Com esforço conquistei, meu sustento e meu umbigo.
Não entrego de bandeja, minha imagem, meu currículo...
mas...sinto, cá no meu peito...tristeza e solidão...
por quê não é auto-suficiente meu rebelde coração?
Por quê seguimos sofrendo e cada qual pra seu lado, nessa via de mão dupla, em que os sexos vão se opondo, pisando nos próprios passos, carentes não sei do quê?
Se eu tivesse a garantia que a solução é você...
Nós somos tão diferentes em gênero, número e grau...e se nos arrependermos e isso resultar num mal?
Tantas perguntas fervilham na mente em ebulição, de onde a sensação de andar na contramão?
Eu confesso que costumo dizer que amor é bobagem... melhor usar as pessoas, ter lucro e levar vantagem!
Será mesmo? Ai, meu Deus, mas será que Deus existe?
Nesse mundo "evoluído" rico em tecnologias...sinto que algo me engole, girando num vendaval...o que irá me salvar desse perjúrio ou pecado, de querer secretamente um bom amor ao meu lado?
O motivo certamente é aliviar a opressão, da cabeça que  articula, cheia de opinião...
Viver em mim, simplesmente...céus, como desejo paz!
Sem defesa, sem sossego...depor as armas? Jamais!
Mas...será que encaro o medo de me mostrar tal qual sou...?
Talvez a insegurança de confiar em alguém...compartilhar esperanças...sonhos todo mundo tem!
Ter o coração mais leve... aberto pra confiar...
Quem sabe até, de improviso,dizer que te quero...e amar!

Um comentário:

  1. oi Lídia,tá muito bom esse teu texto!
    não sei se irônico ou sutil... mas com a sua elegância habitual, retrata de forma leve e ritmada, "cantante"... os males do extremo individualismo moderno.
    Vejo principalmente a imagem da mulher executiva com medo de repartir sua vida com talvez também esse novo homem, que ainda não se definiu entre o machismo e seu incipiente lado feminino...Parabéns! bjão, Line

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